Israel nega doença de diretor de hospital preso em Gaza

Israel afirmou, nesta sexta-feira (10), que a prisão do diretor de um hospital em Gaza, mantido em custódia desde dezembro de 2024, é "legal" e negou que ele sofra de uma doença grave.
Hussam Abu Safiya "está sendo legalmente detido por Israel com base em informações concretas", declarou a missão diplomática israelense em Genebra à rede X, que acusou Abu Safiya de ser um coronel do Hamas. "Em nenhum momento durante sua detenção ele apresentou sinais de uma doença com risco de morte", afirmou a missão.
As declarações vêm após uma equipe de investigação da ONU e vários especialistas independentes em direitos humanos terem manifestado preocupação esta semana sobre a situação do médico.
O pediatra Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, ganhou notoriedade em 2024 quando denunciou publicamente as duras condições da instituição durante a ofensiva israelense em Beit Lahia. Em 27 de dezembro daquele ano, as forças israelenses invadiram o hospital, que classificaram como um "centro terrorista" do Hamas, e prenderam dezenas de profissionais de saúde, incluindo Abu Safiya. Na época, era o único em funcionamento no norte da Faixa de Gaza.
Quatro especialistas independentes da ONU declararam na terça-feira que "a contínua detenção arbitrária do Dr. Abu Safiya, sem acusação ou julgamento, reflete o ataque sistemático de Israel contra profissionais de saúde palestinos". A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados expressou na quarta-feira sua "grave preocupação com relatos confiáveis de que o Dr. Hussam Abu Safiya (...) foi submetido a abusos contínuos e graves" durante sua detenção.