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Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Por Notícias 9 · · 6 min de leitura
Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti
visita governadora celina leão ao jbr 5

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal definiu o cenário para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. Entre os nomes de maior destaque estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). O PT lançou Leandro Grass, enquanto o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes na corrida ao Palácio do Buriti: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

Apesar das candidaturas definidas, a eleição ainda não está totalmente consolidada. Fatores como a crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de alguns candidatos e a divisão no campo progressista devem influenciar a percepção do eleitorado nos próximos meses.

Celina Leão começa a disputa com vantagens por já ocupar o cargo. Ela tem maior visibilidade, pode apresentar as realizações de sua gestão e conta com o apoio da estrutura política construída por Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herda o desgaste da administração, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra na disputa com capital eleitoral expressivo e identidade política consolidada. Sua candidatura surge como alternativa no campo conservador e pode ser uma das principais concorrentes de Celina, evitando que a governadora concentre todos os votos da direita e centro-direita. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica que pode ser decisiva.

No campo progressista, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o nome mais competitivo da esquerda, mas enfrenta a concorrência de Cappelli, que começou o trabalho de campanha antes de oficializar a candidatura. Caputo e Belmonte, ligados ao centro, se apresentam como alternativas à polarização.

A crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e resultaram em um prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo na instituição.

O prazo para a divulgação do balanço anual venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com reguladores. Para recuperar o banco, Celina fechou um acordo no STF que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo, porém, ainda não teve resultados efetivos, e não há previsão para os recursos entrarem no caixa da instituição.

Para o mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, a situação do banco deve ser um tema central nas campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina será pressionada a explicar por que uma solução anunciada e homologada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Castro alerta que uma possível liquidação do banco teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes, além de levantar questionamentos sobre a eventual utilização de recursos públicos para cobrir prejuízos”, explica.

Uma queda nas intenções de voto de Celina seria plausível, mas o impacto depende de fatores como a proximidade do episódio em relação à eleição, a existência de perdas para correntistas e para o Tesouro distrital, o grau de responsabilidade atribuído ao governo e a capacidade da oposição de transformar a crise em desgaste político. “Uma atuação transparente, com divulgação de dados e identificação clara das responsabilidades, poderia limitar os danos. Uma postura defensiva tenderia a ampliar o desgaste”, argumenta.

Arruda e a Lei da Ficha Limpa

Arruda estava inelegível desde 2014 por um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, de 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o tempo de perda dos direitos políticos foi reduzido. O teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF analisa os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento estava suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Para Castro, a retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele não é apenas mais um candidato: representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações”, avalia. Celina seria a principal beneficiária, pois parte dos eleitores de Arruda tenderia a migrar para ela, por proximidade ideológica. Essa transferência, porém, não seria automática. Parte do eleitorado pode interpretar a exclusão como injusta e adotar postura de protesto, votando em outro candidato ou anulando o voto.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli mostra a dificuldade de unidade na esquerda. Ambos disputam o mesmo eleitorado e buscam vincular suas campanhas ao projeto nacional de centro-esquerda. A divisão impede que o campo progressista concentre votos para chegar ao segundo turno. Com Celina e Arruda ocupando as primeiras posições, a fragmentação faz com que os candidatos progressistas disputem entre si um eleitorado limitado.

Além disso, duas candidaturas significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários. A disputa interna dificulta a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde e a crise do BRB.

Perfil dos candidatos

Celina Leão (PP) iniciou a carreira política em 2006 como secretária de Juventude de Brasília. Foi deputada distrital entre 2010 e 2015 e deputada federal de 2019 a 2022. Assumiu o governo do DF em março de 2026. É formada em Administração de Empresas e Direito. Seu projeto foca no cuidado com a população vulnerável, na saúde e na capitalização do BRB.

José Roberto Arruda (PSD) foi senador, deputado federal e governador do DF. É formado em Engenharia Elétrica. Após 16 anos longe da política, sua candidatura foi confirmada em agosto de 2026, com foco em saúde, segurança e educação.

Leandro Grass (PT) foi deputado distrital e presidente do Iphan. É sociólogo e mestre em Desenvolvimento Sustentável. Suas prioridades são a saúde pública, a redução de filas e o fortalecimento dos servidores.

Ricardo Cappelli (PSB) é jornalista com pós-graduação em Administração Pública. Foi secretário-executivo do Ministério da Justiça e presidente da ABDI. Promete o programa Fila Zero na saúde, maior salário para professores e fortalecimento do BRB.

Kiko Caputo (Novo) é advogado e ex-presidente da OAB-DF. Na saúde, promete modernizar o sistema de regulação. Na educação, ampliar vagas em creches. Na segurança, fortalecer a proteção a grupos vulneráveis.

Paula Belmonte (PSDB) é administradora de empresas, foi deputada federal e é deputada distrital. Seu projeto foca na primeira infância, na liberdade econômica e no combate à violência contra a mulher.

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