Secretário do DF cobra aval de bancos para socorro ao BRB

O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira, afirmou que não espera uma liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para obrigar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a liberar um empréstimo ao Banco de Brasília (BRB). A declaração foi dada em entrevista ao Estadão. O banco enfrenta uma crise de confiança, tem um rombo bilionário e não publica balanços desde que se envolveu com o Banco Master.
Segundo Valdivino, a audiência de conciliação marcada para quinta-feira, 13, deve esclarecer por que os grandes bancos do país não aprovaram a operação. O desenho, de acordo com ele, partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan. “Há interesses claros do sistema financeiro que não são postos à mesa”, disse o secretário.
Na entrevista, Valdivino afirmou que pretende mostrar ao governo, aos bancos e ao STF que a gestão de Celina Leão (PP) fez um choque de gestão que melhorou as contas do DF. Ele garantiu que o governo vai quitar o empréstimo sem precisar que o BRB envie lucros.
Sobre a audiência de 28 de maio, o secretário lembrou que o ministro da Fazenda propôs a formação de um sindicato de bancos para dar aval ao GDF contrair o empréstimo junto ao FGC. A proposta foi registrada em ata, assinada por todos, mas o aval não saiu. Valdivino afirmou que existem bancos interessados em comprar o BRB por um preço simbólico e que essa narrativa atrapalha a operação.
Ele também destacou a melhora na Capacidade de Pagamento (Capag) do DF. Quando assumiu, em 1º de março, a situação era precária. Após ajuste fiscal e mudança no sistema de gestão, a projeção com dados de 31 de julho indicaria nota A, se o ano terminasse naquele mês. Em quatro meses, o governo saiu de um déficit projetado de R$ 5 bilhões para um superávit de R$ 3 bilhões em julho. A meta é fechar o ano com R$ 5 bilhões.
Valdivino negou que haja pagamentos represados. Ele disse que o corte foi em festas e fomentos, que eram liberados com facilidade. Entre as medidas, estão a centralização do empenho de despesas e a exigência de que ao menos 15% das receitas fossem para despesas de capital. A arrecadação também ganhou reforço na fiscalização, com meta de crescimento de R$ 2 bilhões entre maio e dezembro.
O secretário explicou que o GDF precisa de R$ 8,6 bilhões para o aporte no BRB, sendo R$ 6,6 bilhões do FGC e R$ 2 bilhões de recursos próprios. Ele afirmou que o banco ainda não atingiu os índices de Basileia, mas terá patrimônio positivo após a operação.